Referendo constitucional eleva pressão política na República Democrática do Congo
A República Democrática do Congo vive uma nova fase de tensão política com a proposta de convocar um referendo para mudar a Constituição. O debate ganhou força em meio à desconfiança da oposição, que vê na iniciativa uma tentativa de prolongar o poder do presidente Félix Tshisekedi.
Os críticos afirmam que uma eventual nova Carta pode ser usada para redesenhar as regras de sucessão e permitir que o chefe de Estado permaneça no cargo além do limite atualmente previsto. O governo, por sua vez, tem sido cobrado a esclarecer quais mudanças estão realmente em discussão e qual seria o impacto institucional da proposta.
Antes da escalada das ruas, grupos opositores haviam anunciado manifestações contra o projeto. Os atos, porém, foram adiados depois que a União Africana sinalizou disposição para mediar o impasse, numa tentativa de reduzir o risco de confronto e abrir uma saída negociada para a crise.
Mesmo com a suspensão dos protestos, o ambiente segue instável. A disputa em torno da Constituição colocou no centro do debate a confiança nas instituições, a relação entre Executivo e oposição e o temor de que a revisão do texto legal se transforme em instrumento de disputa pelo poder. Em um cenário de incerteza, a pressão sobre Tshisekedi aumenta, enquanto a solução política ainda parece distante.